Um Lugar...

Nosso principal objetivo é acordar o Ser Humano, apoiar os despossuídos e alertar os poderosos... usando a cultura e o pensamento para esbofetear os medíocres... ou não! Todas as histórias contadas aqui são verídicas, os nomes foram trocados para proteger os inocentes...


Roger Borges (Pesquisador, Jornalista e Blogueiro Ocasional)
Bruno Cavalcanti (Jornalista, Blogueiro e Pensador)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Band On The Run: Uma Música em Três Atos



Paul McCartney tem o poder de se inovar, após a saída dos Beatles, em 1970, ele lançou uma sólida e duradoura carreira solo. Claro, teve discos ruins, mas isso é normal para um músico que tem uma extensa discografia. Paul também soube superar a crise da indústria fonográfica fazendo shows, cuja infraestrutura é gigantesca e a qualidade dos concertos é inquestionável. 

E nessa quarta-feira (12), o ex-Beatle, impressionou o público presente no festival “12.12.12”, em Nova Iorque, no qual a renda foi revertida para as vítimas do furacão Sandy. Quando subiu ao palco com Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear, membros remanescentes da extinta banda Nirvana, e tocaram “Cut Me Some Slack”, uma composição feita especialmente para o evento. Após a apresentação, tanto o público como os críticos especializados em rock, ficaram impressionados com a performance da banda e (principalmente) de McCartney.



Após assistir esse vídeo, comecei a repassar algumas músicas da carreira desse grande artista, quando reparei na canção “Band on the Run” do álbum de mesmo nome, lançado em 1973, junto ao grupo Wings. Reparei que a estética musical é composta por três passagens, no qual se pode analisar uma estrutura complexa e elabora ao estilo das canções do disco “Stg. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, de 1967, dos Beatles.


“Band on the Run” começa de forma suave, com um slide de guitarra, já na segunda parte da música, há uma mudança de sonoridade indo para o hard rock, tento teclados ao estilo Space Rock e com ótima levada de baixo. Já a ultima parte da música, vem acompanhada pela viola elétrica de 12 cordas, fazendo uma sonoridade mais animada. Em pouco mais de cinco minutos de canção, pode-se perceber que a música contém três passagens como se cada uma delas fosse um ato de uma cena. E a letra também se divide: A primeira parte trata de um preso lamentando que jamais poderá apreciar à beleza de sua mãe novamente; segunda parte remete ao condenado dizendo que se um dia sair de sua prisão, irá doar seus pertences para caridade; já a última parte da letra, contanto com a estrofe, mostra que a banda de detentos conseguiu fugir de seu cárcere com êxito.


Paul lançou esse disco em dezembro de 1973, e até hoje é considerado o melhor e mais completo trabalho de McCartney, canções como “Jet”, “Let Me Roll It” além da faixa-título são executadas até hoje em seus shows. Esse disco é altamente recomendado, mesmo que você não seja fã da carreira solo de Paul, esse trabalho é essencial para qualquer fã de rock setentista, pois após 39 anos de seu lançamento as músicas continuam atemporais.


By Bruno "Bluebird" Barni

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Última Tentação de Biafra

Vou falar hoje de uma banda que eu curto muito, chamada Lard. É uma banda de harcore / punk que surgiu em 1988, e é um projeto da mente de Jello Biafra (mais conhecido como ex-vocal do Dead Kennedys). Além de Biafra (vocal), a banda conta com Al Jourgensen (guitarra, fundador e único membro fixo da banda Ministry), Paul Barker (baixo) e Jeff Ward (bateria), ambos ex-Ministry também. Outros ex-membros do Ministry também fizeram parte do projeto posteriormente como Bill Rieflin , Mike Scaccia , e Rey Washam. 

Como sempre nos trabalhos de Biafra, as letras são ácidas, cheias de raiva política, críticas e claro, muito humor. Para quem se interessar em prestar atenção, as letras são um show a parte, apesar do som ser ótimo e na mesma proporção de qualidade. Por volta de 2007 fizeram algumas turnês ao redor de São Francisco (da onde Biafra comanda sua gravadora a Alternative Tentacles), também abriram vários shows do próprio Ministry pelos U.S.A. Assim como suas bandas derivadas, Dead Kennedys e Ministry, o Lard tem sua importância na história da música devido a qualidade do seus temas e a qualidade profissional e sonora dos seus membros que dispensam comentários, quem conhece as bandas citadas já sabe o que esperar. 

Em 2009 Jourgensen afirmou em entrevista que estava, junto com Biafra, planejando um novo álbum do Lard, mas no ano seguinte Jello Biafra jogou um balde de água fria na galera, dizendo que um novo álbum seria improvável por não conseguirem separar um tempo para isso, mesmo porque o Lard não é uma banda fixa. Também pudera, Eric Reed Boucher (Biafra), é membro do Partido Verde no U.S.A, cuida de seus negócios, sua gravadora e participa de debates e palestras por todo país (tem até cds gravados com suas palestras, acreditem) o cara gosta de falar e se envolver em causas políticas.

Discografia:

  • The Power of Lard – (12"/CD/Cass EP) 1989 - Alternative Tentacles • (12" EP) 1989 - Fringe Product
  • I Am Your Clock – (12" EP) 1990 - Alternative Tentacles
  • The Last Temptation of Reid – (LP/CD/Cass Album) 1990 - Alternative Tentacles
  • Pure Chewing Satisfaction – (LP/CD/Cass Album) 1997 - Alternative Tentacles
  • 70's Rock Must Die – (12"/CD EP) 2000 - Alternative Tentacles
Desses só possuo dois, os que estão na foto.

Para quem quiser saber mais sobre o cabra... Jello Biafra 
E o Ministry para quem não conhece... Ministry

Deixo um som que eu curto muito que faz parte do álbum The Last Temptation of Reid, e também faz parte da trilha sonora do filme "Natural Born Killers" (Assassinos por Natureza) de 1994, dirigido por Oliver Stone e com participações de Woody Harrelson, Robert Downey Jr., Tommy Lee Jones, Tom Sizemore e outros. 

 
By Roger "Pineapple Face" Himura

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Devaneio: Uma Consulta com o Dr. Thompson

(Esse texto é um relato de um sonho que tive, onde esses diálogos ocorreram – então não se esqueçam de que tudo isso faz parte de uma fantasia que tive enquanto dormia)

Deito sonolento em minha cama, me cubro, então caio em sono profundo – quando acordo, estou vestido com minha velha jeans azul, camisa preta, calçando meu all star branco, sujo e surrado. Estou em um bar cujas paredes, chão e balcão são todos de madeira, no canto do salão, na única mesa ocupada, está um homem com pouco cabelo, quase careca, óculos, fumando cigarros Dunhill, com o auxílio de uma piteira - reconheço, mas sem acreditar ainda, que àquele homem é meu herói jornalista, Hunter S. Thompson, então, aproximo-me dele, observo que sobre a mesa há uma garrafa de uísque Chivas e um copo a mais, ele me vê, sorri, e sem falar nada, Thompson enche o meu copo, e fala saúde. Eu viro o copo em uma única dose, acendo um cigarro e sento-me à mesa.

“Onde Estou?” - pergunto ainda sem entender nada - ele me olha, enche novamente nossos copos e fala: “Barni, estamos em sua mente, você queria aprender sobre como se tornar um jornalista completo como eu, pois bem, vim aqui te dar umas dicas de como ser um Jornalista Gonzo”. Fico perplexo, acendo outro cigarro [e ele também], então começo a perguntar como devo reagir em uma situação, por exemplo, de confronto, ele começa a rir e fala que simplesmente devo ir para cima da confusão, sem me importar com nada, viver àquele momento de violência e terror (assim como ele fez com a gangue Hell Angels, que fora tema de seu primeiro livro publicado, onde conviveu quase um ano com os caras e ainda apanhou de alguns deles), estar no “olho do furacão”, pois assim, após recolher os relatos de outros participantes, poderá incluí-los junto à sua perspectiva do fato e assim relatá-lo com veracidade e crueza de alguém, mesmo que de forma indireta, presenciou tudo de perto.  Viro outra dose de Chivas, pois estou impressionado, realmente é ele! O DOUTOR, morto há 11 anos, em meu sonho, mas isso não pode ser um sonho, é muito real para ser um fruto produzido pelo meu subconsciente, entretanto, após virar a dose de uísque, sinto a bebida queimar minha garganta e, novamente ele me enche o copo. Respondo a Hunter que realmente o quê ele acaba de me dizer faz todo o sentido, pois se relatasse algum fato sem ter vivenciado perde-se muito na hora de relatar o horror do momento. 

“Rapaz, quando você escreve um artigo, você, além de por todo seu conhecimento, tem que por sua alma àquele texto, seja ficção ou não, se não se dedicar totalmente a ele, sairá uma bosta!”, me fala o doutor, após virar seu copo de uísque e fazer um movimento com a mão direita -, logo em seguida, vem o garçom, com um balde cheio de cervejas da marca Budweiser e enche novamente nossos copos de Chivas e se distancia, voltando ao balcão.

Cada um pega uma longneck e abre, brindamos juntos e damos um longo gole em nossas respectivas bebidas, em seguida olho para a bebida e para ele e pergunto:

“Doc... afinal, como você escrevia com uma quantidade enorme de álcool e drogas no corpo, como conseguia?”

“Olha se combinar a dosagem certa de drogas com álcool você consegue entrar em um frenesi que ajuda e muito, mas, às vezes fica tão chapado que não faz nada. Após eu ter parado com o uso de narcóticos, continuei a escrever com o auxílio da bebida, ela ajuda a estimular e manter sua mente relaxa para que possa tê-la a disposição para conseguir criar um belo artigo. Contudo, é necessário acostumar seu corpo e mente a produzir com o auxílio de bebidas, muitos não conseguem e simplesmente fazem merda, entretanto quando conseguem, fazem ótimas reportagens, como as minhas, por exemplo. (risos).”

Depois desses nossos breves diálogos, sinto-me mais relaxado e menos preocupado em saber se é um sonho ou não, aproveito o momento, bebo mais um belo gole de cerveja, acendo outro cigarro e vou curtindo a situação, e Thompson faz o mesmo. Ele me olha me analisa e então me pergunta o porquê do meu medo de não me tornar um excelente jornalista, ele diz que ele sente que tenho jeito e áurea para me dar bem na profissão; explico a ele, brevemente, sobre a situação atual da área de jornalismo no Brasil e que ainda sou “limitado” aos olhos do mercado – Hunter mata sua breja, joga a garrafa longe, ela estoura, ele vira sua dose de uísque, acende outro cigarro, levanta-se de forma brusca da cadeira, aponta o dedo para mim e aos berros fala: “Porra moleque, por que dessa porra de medo caralho? Você sabe que me fodi pra porra até me tornar o quê sou, então seu merda, corra atrás, mesmo que vários babacas engomadinhos falem ‘não’ pra você, mande todos eles por inferno e corra atrás, quando se nasce pra isso [assim como eu] e quer ser realmente jornalista, um ‘não’ é igual a nada! Corra atrás que você de tanto insistir, algum editor com “feeling” verá que você é bom e aí empregado, você mostra que você é ‘o Cara’! Mostrando toda essa ‘agressividade’ e talento que tem no trabalho se tornará um excelente profissional!”.

Após esse esporro do doutor, eu acordo em minha cama às 4:35 da manha, vejo que fora um sonho, porém, sinto o gosto o uísque em minha garganta....


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Atravéz da Lente de M. Night Shayamalan. (Parte 2)

Só para finalizar esse tema. No outro post eu resumi bem os principais filmes desse grande cineasta, mas gostaria de falar sobre outros tambem. Aqui estão:

The Happening (O Fim dos Tempos): De 2008. Volta o tema ciência versus fé. Na trama, Elliot Moore (Mark Wahlberg - Infiltrados, O Atirador, Max Payne e o atual Ted) é um professor de Ciências que atravessa uma crise com sua esposa, Alma (Zooey Deschanel - Sim Senhor, Pontes para Terabítia). Mas essa relação dos dois será testada diante de um evento maior. Uma toxina que chega com o vento e faz com que o cérebro humano perca o senso de auto-preservação ou seja, um inimigo invisível faz os personagens se suicidarem. Exite aqui seus conceitos favoritos como a família como tábua de salvação entre outros, mas nem de leve lembra as ricas metáforas dos filmes anteriores. Meio que parece ter perdido um pouco o rumo de seu imaginativo mundo surreal. Tambem temos aqui o ator John Leguizamo (Era do Gelo (Sid), O Peste, Spawn (como Violator) e até o Luigi em Super Mario Bros (sem coments)). 

The Last Airbender (O Ultimo Mestre do Ar): Lançado em 2010, foi baseado na primeira temporada da série animada Avatar: The Last Airbender (A Lenda de Aang), do canal Nickelodeon e criada por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko. Mistura mitologia e artes marciais. Novamente massacrado pela critica americana, o que levou o ator que interpreta o Sokka no filme, Jackson Rathbone a dizer em entrevista: "Os críticos nos EUA... Eu não acho que eles gostem muito de M. Night Shyamalan," disse ele. "Eu não sei o porquê. É triste porque ele é um diretor incrível e uma pessoa maravilhosa, em outros países, internacionalmente eles ainda o amam e pensam que seu trabalho é genial", ele adicionou. "É uma daquelas coisas... a arte é subjetiva"
Será que é como o Mario Abbade disse, que no final o M. Night fará como Woody Allen, cansado de apanhar da critica americana, irá para a Europa? Gosto da série e do filme espero que ele faça também os outros "Livros". O filme ainda tem no elenco Dev Patel (Quem quer ser um milionário?) como o Príncipe Zuko.

The Devil (O Demônio): De 2010 também. A trama mostra cinco estranhos presos no elevador de um prédio comercial. O que era apenas um inconveniente se torna um pesadelo quando se descobre que há um assassino entre eles. O detetive Bowden (Chris Messina), que já estava no local investigando um suicídio, é destacado para tentar descobrir o que está havendo no elevador. Ocorre que pode haver uma força sinistra orquestrando os eventos em questão. Na verdade M. Night só assina o argumento e a produção, a direção fica a cabo de John Erick Dowdle e o roteiro concebido por Brian Nelson (do maravilhoso 30 Dias de Noite). Mas é um ótimo projeto no qual ele se envolveu, e um dos melhores nesses ultimos anos. Chega a ser uma pena não termos sua câmera fantástica por traz de tudo.   

Apesar de ja ter sido indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro, M. Night continua em seu caminho alternativo e ainda assim irritando a critica americana e esperamos mais trabalhos, e que sejam de qualidade desse visionário cineasta, porque potencial ele tem realmente. Estamos na torcida. M Night também está com um site oficial, que assim como seus filmes está fora do padrão "normal", procurando por detalhes dos filmes sendo guiado por um corvo, só vendo para entender. Veja aqui... The Official M. Night Shyamalan Website 

By Roger "Unbreakble" Himura

  

Atravéz da Lente de M. Night Shyamalan.

Vou hoje falar um pouco sobre um cineasta do qual sou fã de carteirinha, mas na minha opinião um dos mais incompreendidos que existe (sim ,existem outros). Um pouco por causa de produtoras que insistem em vender seus filmes como "Blockbusters", o lançando até no chamado "verão americano" onde filmes de ação e fantásticos são a principal atração. Aqui no Brasil não foi muito diferente e todos foram vendidos como "misticos" e, na onda de seu filme mais conhecido, como aqueles de "final surpreendente". Tudo isso aliado a uma cobrança alienada de uma repetição desse recorrente tema de "não conte o final". Não me surpreende é o fato dele ser tão odiado pelo público em geral, que compram uma coisa e levam outra, digamos muito melhor, mas não são capazes de entender as nuâncias, as metáforas a poesia e até as críticas envolvidas em seu trabalho que tanto encanta críticos e o público que se interessa por esse tipo de "cinema autoral"

Manoj Nelliattu Shyamalan, ou simplesmente M. Night tem um jeito no mínimo fantástico de filmar, posicionar a câmera, o cara sabe o que faz e espero que continue a fazer assim sempre. Não é a toa que é um dos mais bem sucedidos diretores em solo americano. Na verdade M. Night nasceu na India, mas veio morar na Filadélfia em sua infância. O cineasta, agora com 42 anos, faz filmes desde a adolescencia e possui a característica de participar de todos eles. 

A fé, religião e situações extra ordinárias são temas recorrentes no trabalho do diretor, seus personagens sempre parecem se entregar a trama sem medo e até dizer uma fé cega por ela. É o que geralmente se nota nesse seu tipo de cinema autoral, onde o jeito que ele conta a história é o que realmente importa, os atores e a trama ficam em plano de fundo e sua maestria em detalhar a mesma é o que brilha, transformando até astros como Mel Gibson e Bruce Willis em pessoas comuns que voce tem certeza que poderiam ser seus vizinhos. Ele consegue aproximar seus temas fantásticos ao mundo real, o qual ele próprio ja relatou ser um "mundo" a parte, diferente do nosso. O seu modo de ver a história por traz da história, colocar uma situação para mostrar uma outra, te levar por um caminho desconhecido e depois te mostrar que não era esse caminho que ele queria que voce seguisse são de tirar o fôlego, sua câmera mágica passeia pelas cenas como se quisesse te mostrar como ele vê esse mundo diferente que ele mesmo criou. Bom posso ficar muito tempo exaltando os talentos do senhor Shyamalan, mas vou fazer um resumão do seus trabalhos, só pra que entendam a paixão de alguns (eu) e o ódio de outros.  

Praying with Anger: de 92, seu primeiro projeto, conta a história de um adolescente alienado e americanizado de herança indiana que regressa à Índia onde descobre, não só as suas raízes mas a sua identidade.

Wide Awake (Olhos Abertos): de 98, esse já com uma melhor produção/distribuição, simboliza praticamente todos os temas abordados por ele, em especial a crença e a fé. O roteiro começa guiando a vida de um menino, Joshua, que estuda num colégio católico, estritamente separando o lado feminino do masculino, porém com mais tons humorísticos e sem muito suspense. É quando Shyamalan, com muita perspicácia de sua parte, sem cobrar ou mudar o tom de seu protagonista, insere a grande caminhada do filme: a procura de Deus. Com Denis Leary e Rosie O'Donnel.

The Sixth Sense (O Sexto Sentido): 1999. Seu maior sucesso e triunfo, ao mesmo tempo seu carma, depois disso todos esperam um outro filme parecido, já sentam na cadeira do cinema com essa intenção e quebram a cara. Bruce Willis fantástico. Também com Haley Joel Osment (para quem não sabe ele fez o filho do Tom Hanks em Forrest Gump, também A.I. e Bogus (aquele com a Whoopi Goldberg e Gerard Depardieu), entre outros). Final surpreendente e Shyamalan como médico, já tudo muito falado. 

Unbreakable (Corpo Fechado): De 2000, explícito exemplo de vender "gato por lebre". Anunciado como filme místico, e com o fantasma do filme anterior na porta o tema gera em torno de como seria um "super ser" no mundo real (Heroes??) fora das HQs, que tivesse medos, receios e que procura pelo sentido de sua vida; é uma verdadeira história de "heróis", com um cara praticamente "indestrutível" (taí o título "Inquebrável") Bruce Willis, e seu "nêmesis" Samuel "Motherfucker" Jackson, o vilão, que é como vidro e se quebra por qualquer coisa (ele tem osteogênese imperfeita). Assistindo nessa perspectiva o filme se torna muito agradável. O Sr. Shyamalam aparece como um traficante aqui.

Signs (Sinais): 2002. Outro vendido errado como invasão alienígena. Mel Gibson um homem que perdeu sua fé, deve vencer essa batalha consigo mesmo para salvar sua vida e de sua família. Novamente o tema fé - personagem que deve seguir um caminho, para atingir a vitória, conquistar uma luta vencendo seus próprios medos internos e seguindo até o fim. Com o grande Joaquim Phoenix (que é irmão do falecido River Phoenix, do Stand By Me (Conta Comigo) e também fez o jovem Indiana Jones na "Ultima Cruzada", etc). O personagem do Mel Gibson perdeu sua esposa num acidente, onde foi atropelada pelo personagem vivido pelo M. Night. Muito bom, gosto muito desse. 

The Village (A Vila): De 2004, um dos meus favoritos, também com uma boa reviravolta de roteiro, e uma ótima história. Outra vez o personagem é envolvido num caminho a ser precorrido, sozinho, para compreender a si mesmo e sua existência. Trata da maldade humana, que mesmo criadas longe da civilização e sem contato com o mundo exterior, as pessoas desenvolvem sentimentos como inveja e  ódio, sentimentos esses adormecidos em nossa própria alma, provando que estes sintomas podres fazem parte de nossa natureza e é assim que o ser humano se porta. Novamente ótima atuação de Joaquim Phoenix, também está lá William Hurt e a maravilhosa Bryce Dallas Howard espetacular nesse filme, como a escolhida para ir além das florestas, para o "mundo exterior" exatamente por ser cega, para que não visse o que havia além dos muros da comunidade em que vivia. E do outro lado encontra um posto policial, onde um guarda, M. Night, lê um jornal (rs).

Lady In The Water (A Dama na Agua): Depois da Disney cansar de vender errado os filmes do Shyamalan foi a vez da Warner, lançando esse filme no verão americano, para concorrer com Blockbusters. Filme totalmente alternativo, conta uma uma real história de fadas. Com uma bela introdução o cineasta nos convida para sairmos do nosso mundo e participar do seu, onde ele próprio aparece, aqui como o "escolhido", mandando um recado explícito aos críticos, que não importa o que falem assim ele é, não mudará por causa de ninguém (essa atitude é o que mais me impressiona alias, muitas acham que é de mau gosto, egocentrismo, mas eu acho só "atitude", fazer o que gosta sem limites). O filme é cheio de metáforas e como jogo de câmeras fantástico. Baseado numa história que Shyamalan contava as filhas, o roteiro segue para Cleveland Heep ( o sempre surpreendende Paul Giamatti) um homem solitário que, numa noite, ve algo que muda drasticamente sua vida. Ele encontra em seu prédio uma jovem misteriosa chamada Story (novamente Bryce Dallas Howard), que aparece entre as passagens sob a piscina. Surpreso, descobre que Story é uma "narf", uma espécie de ninfa, e que ela é perseguida por criaturas malignas, que desejam impedir que ela retorne ao seu mundo de origem, o Mundo das Aguas. Juntos, Cleveland e os moradores de seu prédio, se unem para encontrar um meio que permita Story a retornar ao seu mundo. Maravilhoso.

To Be Continued....  

By Roger "I See Dead People" Himura
 

  

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Metamorfose Ambulante"

Já tive mais, mas ainda possuo alguns bons livros em minha estante, alguns curiosos, outros que as vezes esqueço e lembro quando vou limpar o móvel. Encontrei um curioso livro de um autor que gosto, cujo jeito detalhado e frio de escrever me impressiona. 

O talentoso Franz Kafka, nasceu em Praga em 1883,  e após sua morte num sanatório, onde se internou com tuberculose, sua obra, revivida pelo amigo Max Brod, exerceu grande influência na literatura mundial. Seus textos retratam as ansiedades e a alienação do homem, contados com uma lucidez sintetizada a um forte traço irônico.
 
Cresceu sob influência de três culturas distintas: a judia, a tcheca e a alemã. Auto-declarado socialista e ateu, participa de grupos anarquistas, se forma em Direito e passa a dedicar-se a Literatura. Em paralelo trabalha em companhias de seguros, mas em 1917 afasta-se do trabalho devido a tuberculose. A maior parte de suas obras foram lançadas postumamente. 

Fez parte da chamada
Escola de Praga, um movimento de estilo literário que compartilhou com outros escritores de sua época. Além do detalhamento e realismo que já citei, seu estilo é marcado pela crueza com a qual descreve situações incomuns. Em seu texto O Processo, de 1925, ele retrata um personagem que é preso, julgado e executado por um crime que desconhece. Esse confronto entre personagens e o poder das instituições, demonstrando a impotência e a fragilidade do ser humano, é marcante em sua obra, e que nos deixa pensativos sobre tudo o qual não podemos controlar. Esse medo é o seu maior triunfo.

Em A Metamorfose (1915), livro o qual citei ter encontrado, o personagem principal acorda, e vê seu corpo transformado em um gigantesco inseto. A versão que tenho é um tanto antiga e possui outros pequenos contos do autor no final do livro. Em A Colonia Penal (1914) temos uma história absurda sobre uma Colônia que usa uma máquina para torturar e matar pessoas, sem que estas sequer saibam o porquê de sua morte.  

No mundo de Kafka, esses personagens não sabem que rumo podem tomar, não sabem seus objetivos, questionam seriamente a sua própria existência e acabam diante de uma situação que não planejaram, sem ter como sair dela. Essa temática de solidão, paranóia e delírios estão sempre presentes, sendo comum a existência de personagens secundários que espiam, e conspiram contra o protagonista, que no meu entender não é mais do que um fantasma do próprio Kafka, exposto ao seus medos e sua angústia perante o mundo.

Li apenas alguns de seus trabalhos, mas ficaram todos marcados em mim, pequenas porções de angustia que são espelhos dessa mente cheia de fantasmas e receios sobre a vida e o mundo. Recomendado, nem preciso dizer.

Algo de sua bibliografia:

Cenas de um Casamento no Campo (1907)
Considerações (1908)
Aeroplano em Brescia (1909)
Amerika (1910, 1927)
O Veredicto (1912)
A Metamorfose (1912, 1915)
A Sentença (1912, 1916)
Meditação (1913)
Contemplação: O Foguista (1913)
Diante da Lei (1914, 1915)
A Colônia Penal (1914, 1919)
O Processo (1914, 1925)
Um Relatório para a Academia (1917)
A Preocupação de um Pai de Família (1917)
A Muralha da China (1917, 1931)
Carta ao Pai (1919)
Um Médico Rural (1919)
Poseidon (1920)
Noites (1920)
Sobre a Questão das Leis (1920)
Primeiro Sofrimento (1921)
Cartas a Milena (1920, 1923)
Investigações de um Cão (1922)
Um Artista da Fome (1922, 1924)
O Castelo (1922, 1926)
Uma Pequena Mulher (1923)
A Construção (1923)
Josefina, a Cantora ou O Povo dos Ratos (1924)


By Roger "Mr. Samsa" Himura


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As Escritas de Kerouac



Jack Kerouac, descendente de franco-canadenses, nascido em 1922, na cidade de Lowell, Massachusetts (EUA) – simplesmente mudou o rumo da história cultural e literária da América; deu um “soco na cara” da sociedade ultraconservadora norte-americana, quando lançou, em 1957, o emblemático, “On the Road – Pé na Estrada”, cuja obra, além de ser avaliada como uma bíblia dos Beatniks e o manual da contracultura para a primeira geração de Hippies e uma injeção de adrenalina na veia de jovens daquela década, e posteriores - que resolveram experimentar a vida no frenesi do jazz; ele [Kerouac] exalta os vagabundos andarilhos como “santos”, “iluminados”, pessoas puras que, em sua concepção, “sabiam como viver” e claro uma imensa admiração pelos negros e seu Bebop, um subgênero do Jazz, coisa banal para época, onde os EUA era um país totalmente racista e preconceituoso.

A adaptação cinematográfica deste livro, cujo título no Brasil saiu como “Na Estrada”, dirigido por Walter Salles, consegue transferir toda a essência escrita por Kerouac para às telas, porém, ler o livro, é uma experiência única e frenética.  Conheci essa publicação e autor há 7 anos e após isso, minha vida mudou drasticamente;  Jack consegui por nas páginas toda sua aventura e libertação de forma tão pura, explícita e detalhada que consegue fazer o leitor sentir-se junto de Sal Paradise (alter ego do escritor) e os outros personagens que aparecem ao decorrer da história. Essa adaptação fez voltar à tona toda a potência literária de Kerouac e a velha discussão: o beatnik tanto a literatura como o estilo de vida, ainda existem? Vários sites, bloggers e outras mídias colaborativas dão opiniões diversas: uns dizem que sim – o movimento existe, mas sem o fervor do original, e outros dizem que acabou. Já a literatura se mantém viva por conta das reedições dos artistas clássicos como Allan Ginsberg e William Burroughs. Mesmo que Pé na Estrada seja o principal trabalho, outras obras que fora lançada tanto anteriormente como posteriormente ao On the Road, merecem total atenção, pois são várias outras experiências que Kerouac descreve sempre misturando o ficcional com um “quê” de autobiográfico, assim como as obras “Almoço Nu”, do Burroughs, e, o “Uivo” do Ginsberg. Inclusive a versão do “Pé na estrada – o manuscrito original” é tão bom quanto à edição lançada originalmente, no qual a editora fez uma correção gramatical, pois o original não possui vírgulas ou qualquer outro ponto – ela foi escrita como se fosse uma Jam Session (sessão de improviso comum no Jazz) - vale a pena ler essa versão escutando jazz, de preferência o instrumental, porque você, leitor, verá que o ritmo da música combina com o estilo único que o autor compôs sua abra.

Embora não tive ainda há oportunidade de ler todos os livros, deste que é meu escritor favorito, desenvolvi uma teoria que há quatro obras que se lidas na sequência (e na ordem que descreverei a seguir), verá que uma é complemento da outra, onde mostra nosso herói buscando algo diferente: On The Road, Vagabundos Iluminados, Anjos da Desolação e Big Sur, este último, é o mais triste deles, pois Kerouac, fala abertamente sobre seu alcoolismo e de como isso está lhe destruindo.
Seguindo a sequência descrita acima, tudo realmente começa com a libertação material de On the Road, depois vai para a iluminação espiritual em Vagabundos Iluminados, o enfrentamento da loucura e solidão com Anjos da Desolação e as consequências dos abusos em Big Sur – Não sei ao certo de que essas obras se complementam, porém, de tanto lê-las, cheguei à conclusão que sim, uma complementa a outra, pois em todos os livros citados, o alter ego do autor, sempre está em busca de algo.

Percebo uma mágica e atemporalidade em toda obra de Jack Kerouac, pois a cada década que uma nova geração encontra suas escritas sagradas, influencia o leitor no ato, chega a ser surreal o poder que os livros do Jack têm a ponto de sempre estarem atuais, mostrando ao ser humano que sempre tem que partir em busca de algo para poder saciar seu corpo e alma – que sem isso sempre nos sentiremos incompletos e infelizes. 


By Bruno "Off The Road" Barni